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| Crédito: Luiz Fernando Gonzaga Imagem meramente ilustrativa |
Faminto, carente e sem orientações. Era assim que o menino Ítalo, 10 anos, morto por policiais no início deste mês, vivia em uma comunidade no Rio de Janeiro (RJ). O caso deixou o país em reflexão. Até onde a família ou a falta dela contribui para o aumento da violência em grandes cidades? Quantos Ítalos estão sendo gestacionados por nossa sociedade? Por que pessoas despreparadas psicologicamente insistem na reprodução, com tantos meios de evitar a gravidez?
O que me assusta é que essas crianças, crescidas em meio a conturbações dos pais, têm visto ser confiscado a principal fase da vida, a infância. Pois é esse momento que elas adquirem valores, sentimentos e até traumas que impregnam por toda a vivência.
Sem o direito de aprender, conhecer, se alimentar adequadamente e de provar o dito "lado bom", crianças vão se tornando donas de si num mundo onde a dor, lágrimas e exclusão viram os principais inimigos dessas pessoas que, muitas vezes, nem chegam a conhecer a vida adulta, como ocorreu com o menino Ítalo.
Na infância perdida, os pais repassam suas obrigações e responsabilidades aos pequenos que abrem a geladeira e só encontram cebola e água; abrem a panela nenhuma comida que atenda suas vontades, isso quando têm. Esses mesmos pequenos são os que para adquirir um lanche acabam usando a violência em troca das violências diárias que recebem.
Em depoimento, amigo de Ítalo disse ao Programa Record Investigação, que semana passada tratou do caso, o amigo fazia pipas para ele, compartilhando, humildemente, o brinquedo e a diversão. Já a mãe disse que a criança, mesmo com toda a sua imaturidade, garantiu que compraria uma casa melhor e com 'comida' a ela.
Nos assustamos, julgamos e nos questionamos como crianças são capazes de grandes atrocidades. Mas como ser cobrado valores e boas ações de quem só ver o mundo de oportunidades virar lhes as costas? Como cobrar de alguém foi impedido de ter uma vida digna? Infelizmente, a lei dos homens roubou a vida desse menino. Quantas vidas ainda serão perdidas?

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